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Informação

BRS Piatã: a forrageira que está transformando pastagens no Brasil

Conheça o capim-piatã (BRS Piatã), uma excelente alternativa para diversificação de pastagens nas regiões tropicais brasileiras, reunindo qualidade, resistência e produtividade.

Embrapa
Imagem do capim BRS Piatã em campo

Quem trabalha com pecuária sabe que a escolha da forrageira certa faz toda a diferença na produtividade do rebanho e na sustentabilidade da propriedade. O capim-piatã (BRS Piatã) vem se destacando como uma das melhores alternativas para a diversificação de pastagens nas regiões tropicais brasileiras, reunindo qualidade, resistência e produtividade em uma única cultivar.

O que é o capim-piatã?

O BRS Piatã é uma cultivar de Brachiaria brizantha desenvolvida para atender às demandas de produtores que buscam uma forrageira de alta performance em solos de média e boa fertilidade. Ele foi avaliado em diversas regiões pecuárias do Brasil Central e apresenta comportamento e produtividade semelhantes aos dos consagrados capins marandu e xaraés — porém com características diferenciadas que o tornam uma alternativa estratégica para compor e diversificar sistemas de pastagem.

Produção de forragem e qualidade nutricional

O capim-piatã apresenta boa qualidade e alta produção de folhas. Sua produção total média chega a 9,5 toneladas por hectare de matéria seca ao ano, com 57% de folhas. Um destaque importante: 36% dessa produção ocorre durante o período seco do ano, o que favorece o desempenho animal justamente na época mais crítica para a pecuária.

Seus colmos são mais finos do que os das demais cultivares de braquiária, sendo facilmente aproveitados pelos animais. Isso favorece o consumo tanto da forragem disponível quanto da reservada por diferimento para a seca — um benefício prático e econômico para o produtor.

Desempenho animal

Os resultados de avaliações com animais em pastejo mostram que o capim-piatã promove ganhos de peso diário por animal superiores aos do capim-xaraés no período das águas, equivalentes ao capim-marandu. Confira os números na tabela:

Forrageira | Ganho/animal (águas) | Ganho/animal (seca) | Produtividade (kg PV/ha/ano)

Xaraés | 718 g/dia | 286 g/dia | 795 kg

Marandu | 770 g/dia | 312 g/dia | 670 kg

Piatã | 782 g/dia | 349 g/dia | 715 kg

Embora as taxas de lotação do piatã sejam semelhantes às do marandu — e menores que as do xaraés —, as diferenças entre as cultivares podem ser aproveitadas de forma estratégica para atender diferentes categorias animais dentro de um mesmo sistema de produção.

Florescimento e produção de sementes

O capim-piatã é precoce no florescimento, com inflorescência nos meses de janeiro e fevereiro, o que permite a recuperação das plantas e a produção de forragem de boa qualidade ao final do período das chuvas. Sua inflorescência pode apresentar até doze ramificações, característica que a diferencia das demais cultivares.

A produção de sementes varia de 150 a 450 kg de sementes puras por hectare ao ano. Cada grama contém aproximadamente 120 sementes — tamanho equivalente ao do capim-marandu. Quando colhidas do chão por varredura, praticamente não apresentam dormência.

Calagem e adubação

O BRS Piatã tem exigência nutricional mediana, equivalente ao capim-marandu e menos exigente que o xaraés. Não é indicado para solos de baixa fertilidade, mas adapta-se bem a solos arenosos de boa fertilidade.

As recomendações gerais para implantação incluem: Calcário suficiente para elevar a saturação por bases a no mínimo 40%; 30 kg/ha de enxofre incluído na fórmula de adubação de plantio; 50 a 75 kg/ha de nitrogênio, aplicados 30 a 45 dias após a emergência das plantas; 40 a 50 kg/ha de FTE com zinco, cobre e molibdênio, repetindo a cada 3 a 4 anos.

A quantidade exata de corretivos e fertilizantes deve sempre ser definida com base em análise química do solo. A adubação de manutenção é indispensável para evitar a degradação da pastagem e queda de produtividade ao longo dos anos.

Resistência a pragas e doenças

O capim-piatã é moderadamente resistente às cigarrinhas típicas de pastagens (Notozulia entreriana e Deois flavopicta), desfavorecendo a infestação e a sobrevivência das ninfas. Em condições de campo, foram constatados baixa infestação e danos moderados ao ataque da forma adulta — desempenho superior ao do capim-xaraés nesse aspecto.

Quanto às doenças, o piatã mostrou-se tolerante a fungos foliares e de raiz, sendo menos sensível ao encharcamento do solo do que o capim-marandu — uma vantagem relevante em áreas sujeitas a períodos de má drenagem.

Manejo da pastagem

O sistema de manejo do capim-piatã é semelhante ao do capim-marandu: Pastejo contínuo: manter a altura da pastagem entre 25 e 35 cm; Pastejo rotacionado: entrada dos animais com cerca de 40 cm e saída com 20 cm; Solos de alta fertilidade: entrada com 35 cm e saída com 15 cm.

Por que escolher o BRS Piatã?

O capim-piatã reúne uma série de vantagens que o tornam uma excelente escolha para compor sistemas de pastagem diversificados: Floração precoce, favorecendo a recuperação das plantas no final das chuvas; Colmos finos, com melhor aproveitamento pelo animal inclusive no diferimento; Maior resistência às cigarrinhas típicas de pastagens que o xaraés; Menor sensibilidade ao encharcamento que o marandu; Consorcia-se muito bem com o estilosantes Campo Grande; Ótima alternativa para integração lavoura-pecuária, com crescimento inicial mais lento e características favoráveis de manejo e acúmulo de forragem na seca.

Para propriedades que já utilizam marandu ou xaraés e buscam ampliar a resiliência e a produtividade do sistema, o BRS Piatã se apresenta como uma complementação técnica sólida — não como substituto, mas como aliado estratégico na diversificação das pastagens.

Fonte: Embrapa

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